quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Emprego formal em Campos: a série de 2007 a 2026

O Campos em Debate divulga a série histórica do emprego formal em Campos dos Goytacazes, de janeiro de 2007 a setembro de 2026, montada exclusivamente com dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged e Novo Caged).

Acesse a página: Emprego formal em Campos dos Goytacazes

A página reúne, em gráficos e quadros:

  • admissões, desligamentos, saldo e estoque de vínculos, mês a mês;
  • o saldo de cada ano e de cada setor da economia;
  • o salário mediano de admissão e de desligamento, corrigido pela inflação;
  • os motivos dos desligamentos (sem justa causa, a pedido, acordo, término de contrato);
  • as modalidades de contrato, o porte dos empregadores, o perfil de quem é contratado e as ocupações que mais contratam.

Alguns números

  • 2026: de janeiro a setembro, o saldo foi de +2.587 vínculos, 3,0% sobre o estoque de dezembro de 2025. Nos 12 meses de outubro de 2025 a setembro de 2026, porém, o saldo foi de −20. A diferença vem do último trimestre de 2025: de outubro a dezembro, o saldo foi de −2.607, o menor para esse trimestre desde 2020, quando começa o Novo Caged.
  • Estoque: o município tinha 71.039 vínculos ativos em dezembro de 2019 e 87.418 em setembro de 2026 (+23,1%). Esse total corresponde a 33% dos vínculos dos nove municípios do Norte Fluminense.
  • 2015 a 2017: pelo Caged antigo, o saldo somado dos três anos foi de −13.501 vínculos (−4.898, −5.532 e −3.071). Construção (−4.495) e indústria (−3.678) concentraram a maior parte da perda no período.
  • Setores em 2025: demais serviços (+1.743) e comércio (+621) tiveram os maiores saldos; a construção teve −512.
  • Pedidos de demissão: representavam 12% dos desligamentos em 2016 e 31% em 2025.
  • Salário: a mediana do salário de admissão foi de R$ 1.822 em 2025 e de R$ 1.810 em 2020, ambos em reais de março de 2026.

Como ler os dados

Em janeiro de 2020 o registro passou a ser feito pelo eSocial, com mudança de cobertura. O próprio Ministério não recomenda comparar diretamente os níveis das duas fases; por isso a página marca a quebra e não soma saldos de um lado e do outro. Os recortes por setor, salário, motivo, contrato, perfil e ocupação vêm dos microdados com as declarações entregues no prazo, e seus totais diferem um pouco da série oficial. Nos microdados, 2026 vai até março.

Fontes: Ministério do Trabalho e Emprego, Novo Caged, Tabela 8.1 da divulgação de setembro de 2026 (4/11/2026); Caged antigo e microdados do Novo Caged, via Base dos Dados; INPC/IBGE.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Planejador Tributário: conheça a nova ferramenta do Campos em Debate

Planejador Tributário — entenda os tributos, explore cenários e acesse o planejador do Campos em Debate

Quem empreende precisa tomar decisões sobre faturamento, custos, contratação e investimento. Os tributos fazem parte dessas escolhas, mas nem sempre é fácil entender como cada regra afeta o negócio ou quais informações precisam ser reunidas antes de decidir.

Para ajudar nessa primeira análise, o Campos em Debate apresenta o Planejador Tributário: uma ferramenta gratuita de orientação e simulação de cenários empresariais, disponível no navegador.

Abrir o Planejador Tributário →

O que a ferramenta faz

  • Escolha do regime. Compara Simples Nacional, lucro presumido e lucro real para comércio, indústria, serviços e receitas mistas, e mostra quanto vai para a União, para o Estado do RJ e para o Município de Campos. No Simples, o DAS aparece repartido entre os tributos conforme as tabelas da LC 123/2006. Controles permitem variar faturamento, margem de lucro e folha, além de dados apurados como a receita acumulada e a alíquota de ISS, sempre dentro dos limites legais, e a ferramenta indica os pontos em que outro regime passa a compensar.
  • Situações reais. Campos opcionais para substituição tributária, produtos monofásicos e exportação no Simples, percentuais de presunção por atividade, encargos calculados pela folha, prejuízos de anos anteriores, início de atividade e receita por trimestre.
  • Precisão estimada. O usuário indica o que não sabe com segurança, e a ferramenta mostra a faixa de resultado de cada regime, se a conclusão se mantém e o que mais reduz a precisão.
  • Operações com mercadorias. Apuração de ICMS, FECP e IPI com créditos, e um recorte de DIFAL.
  • Reforma tributária. Calendário de 2026 a 2033 e um laboratório para testar hipóteses de alíquotas de CBS e IBS. Os números preenchidos são hipóteses do usuário, não alíquotas legais.
  • Débitos. Simulação do REFIS 2026 de Campos e os caminhos de regularização na União e no Estado.
  • Sócios. Custo do pró-labore para o sócio (INSS e imposto de renda de 2026), retenção sobre dividendos e o efeito líquido de aumentar o pró-labore para alcançar o fator R.
  • Plano de ação. Para cada ente, a guia de recolhimento, o órgão que cobra e onde discutir, além dos prazos de opção pelo regime.

Na tela inicial, basta escolher o objetivo. Quem não sabe por onde começar responde a três perguntas e recebe um roteiro.

Para quem

Para quem tem ou pretende abrir uma empresa e para contadores, advogados e estudantes que queiram reproduzir cenários. Os conceitos federais servem a empresas de qualquer lugar; as regras estaduais são do Rio de Janeiro e as municipais, de Campos dos Goytacazes. MEI, autônomos e regimes especiais recebem orientação, mas não são calculados.

Como ler o resultado

O resultado é uma estimativa para triagem. O menor valor não demonstra que a empresa pode adotar aquele regime: atividade, impedimentos, créditos, retenções e obrigações podem mudar a conclusão. Antes de decidir, a análise deve ser confirmada com contador e advogado.

Há um cuidado específico para 2027: a opção de regime feita em janeiro de 2027 valerá para um ano em que o PIS e a Cofins dão lugar à CBS. A ferramenta permite comparar os regimes com as regras de 2027, usando a alíquota de referência de 11,3% proposta pelo TCU, que o Senado ainda pode alterar até 22 de dezembro. Os demais limites, como o DIFAL calculado pela base única e o sublimite do Simples, estão listados na aba “Atualizações e limites”.

Atualização e privacidade

As regras foram revisadas em 04/11/2026 a partir de fontes oficiais, listadas com links na ferramenta. A conferência é manual: atos publicados depois dessa data só são incorporados após nova revisão, registrada na própria ferramenta.

A ferramenta funciona no navegador. Não pede CNPJ, senha ou documentos, e os dados digitados não saem do dispositivo do usuário.

Abrir o Planejador Tributário →

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Raio X da educação pública de Campos dos Goytacazes: quanto se gasta, de onde vem e o que se entrega

Campos dos Goytacazes aplicou R$ 741,5 milhões em educação pública em 2025. Reuni, num estudo técnico, os dados oficiais do Tesouro Nacional, do sistema de orçamentos da educação (SIOPE), do portal da transparência do Município, do Tribunal de Contas do Estado, do INEP e do IBGE. O objetivo é apresentar o que esses dados mostram e o que eles não permitem saber. O período analisado é o exercício de 2025, com séries históricas desde 2019 (gastos), 2022 (matrículas) e 2005 (IDEB). O estudo completo está ao final da postagem.

Em 1 minuto
R$ 741,5 mi
gastos com educação em 2025, ou R$ 14.766 por aluno da rede municipal
25,99%
da receita de impostos aplicada no ensino; o mínimo legal é 25%
R$ 284,3 mi
a mais recebidos do FUNDEB do que o Município depositou no fundo
50.215
alunos no ensino regular da rede municipal, número estável desde 2022
R$ 70,4 mi
pagos a duas empresas pela merenda; cerca de 2% do repasse federal foi à agricultura familiar (a lei exige 30%)
5,7 e 4,2
IDEB 2025 da rede municipal nos anos iniciais e nos anos finais

1. Quanto o Município aplica

A Constituição exige que o Município aplique no ensino pelo menos 25% da receita de impostos. Campos aplicou 25,99% em 2025, uma margem de R$ 10,4 milhões acima do mínimo; em 2024, segundo o Tribunal de Contas do Estado, foram 26,42%. Na saúde, a comparação é com outro mínimo (15%), e o Município aplicou 46,86% no mesmo ano.

Mínimo exigido para a educação
25%
Aplicado na educação em 2025
25,99%
Aplicado na saúde em 2025 (mínimo de 15%)
46,86%

Fonte: SIOPE 2025 (Relatório Resumido da Execução Orçamentária, Anexo 8) e Relatório Anual de Gestão da Saúde 2025. Escala das barras de 0% a 50%.

O percentual próximo do piso não significa, por si, falta de dinheiro na educação, que conta com fontes que não entram nesse cálculo, como o FUNDEB e os royalties. Mas é o que torna sensível uma mudança já anunciada pelo Tribunal de Contas para as contas de 2026, tratada na seção 4.

O volume total mais que dobrou entre 2021 e 2025 (+127,9%, em valores nominais), com o salto concentrado em 2022:

2019
R$ 370,5 mi
2020
R$ 311,3 mi
2021
R$ 325,4 mi
2022
R$ 600,7 mi
2023
R$ 704,9 mi
2024
R$ 758,5 mi
2025
R$ 741,5 mi

Fonte: Tesouro Nacional (SICONFI), despesa empenhada na função Educação, incluídas as contribuições previdenciárias patronais. Valores nominais.

Quanto se gasta por aluno, ano a ano

O número de alunos da rede municipal ficou praticamente estável, entre 48 mil e 51 mil, enquanto o gasto mais que dobrou. Por isso, o gasto por aluno cresceu. Para comparar anos diferentes, os valores foram atualizados pela inflação (IPCA) até dezembro de 2025:

2019
R$ 10.713
2020
R$ 8.577
2021
R$ 7.732
2022
R$ 13.530
2023
R$ 15.258
2024
R$ 15.568
2025
R$ 14.766

Fonte: Despesa total com educação (SICONFI) dividida pelas matrículas do ensino regular da rede municipal (INEP, Censo Escolar). Valores atualizados pelo IPCA (IBGE) de dezembro de cada ano até dezembro de 2025.

AnoAlunosGasto por aluno no anoEm valores de 2025
201948.127R$ 7.698R$ 10.713
202048.320R$ 6.442R$ 8.577
202150.908R$ 6.392R$ 7.732
202250.767R$ 11.832R$ 13.530
202350.493R$ 13.960R$ 15.258
202450.796R$ 14.932R$ 15.568
202550.215R$ 14.766R$ 14.766

Fonte: Elaboração do estudo. Alunos: creche, pré-escola e ensino fundamental da rede municipal; não inclui a EJA.

Descontada a inflação, o gasto por aluno caiu de R$ 10.713 em 2019 para R$ 7.732 em 2021, quase dobrou até 2024 (R$ 15.568, +101,3% sobre 2021) e recuou 5,2% em 2025, para R$ 14.766. O valor é um indicador bruto: inclui administração, transporte e merenda, e não se confunde com o valor por aluno do FUNDEB. A Secretaria de Educação, com outra metodologia, informa R$ 13.025,64 por aluno.

Gastar mais por aluno não garante, sozinho, melhor resultado, e a própria Secretaria reconhece em documento oficial que o desafio está mais na qualidade da aplicação do que no volume de recursos. Os resultados estão na seção 6.

2. De onde vem o dinheiro

54,2%
22,5%
12,8%
FUNDEB (54,2%)Recursos ordinários (22,5%)Royalties (Lei 12.858) (12,8%)Salário-educação (8,2%)Programas federais e outros (2,3%)

Fonte: Portal da Transparência de Campos, 1.005 empenhos da Secretaria de Educação em 2025 (despesa liquidada de R$ 711,1 milhões).

O FUNDEB paga mais da metade da despesa. Campos depositou no fundo R$ 107,2 milhões em 2025 e recebeu R$ 391,5 milhões, além de R$ 34,3 milhões de complementação da União: um ganho líquido de R$ 284,3 milhões, porque o fundo é redistribuído pelo número de matrículas. As duas regras do fundo foram cumpridas: 83,74% foram para a remuneração dos profissionais (mínimo de 70%, ante 90,35% em 2024), e 9,38% ficaram para aplicação em 2026, perto do limite de 10%.

Os royalties vinculados à educação pela Lei nº 12.858/2013 cobriram 12,8% da despesa. Assim como na saúde, essa parcela depende do preço do petróleo e do julgamento, no Supremo Tribunal Federal, da ação sobre a redistribuição dos royalties (ADI 4917), iniciado em maio de 2026 e ainda não concluído.

3. Para onde vai

64%
34%
Pessoal ativo (64%)Custeio (merenda, transporte, manutenção, materiais) (34%)Investimentos (2%)

Fonte: SIOPE 2025, despesa empenhada total de R$ 741,5 milhões.

Quase dois terços da despesa remuneram os profissionais da rede. Desse conjunto, R$ 118,6 milhões foram pagos a professores substitutos e a servidores contratados por tempo determinado, o equivalente a 25,3% da remuneração direta. O portal registra como favorecido a própria Secretaria, sem identificar quem recebeu, e classifica essa folha como “dispensa de licitação”, o que distorce qualquer leitura automática das compras sem licitação. A Secretaria informa ter realizado concurso público em abril de 2026, cujos efeitos ainda não aparecem nos dados de 2025.

A classificação dos gastos também limita o controle. A parcela lançada como “Administração Geral”, sem vínculo com creche, pré-escola ou ensino fundamental, passou de 6,8% do total em 2021 para 23,4% em 2025. É a partir da separação por etapa que se pode saber quanto custa cada aluno de creche ou do fundamental. Os investimentos (obras e equipamentos) ficaram em 2,0%, e 82% deles foram mobiliário escolar.

4. Merenda, contratos e um ponto de atenção para 2026

A merenda escolar é terceirizada a duas empresas, contratadas em 2022 e no terceiro aditivo, que receberam R$ 70,4 milhões em 2025, cerca de R$ 1.400 por aluno ao ano. O repasse federal para a alimentação escolar (PNAE) foi de R$ 8,4 milhões; o restante foi pago com recursos do Município:

Royalties (Lei 12.858)
R$ 22,6 mi
Recursos ordinários (impostos)
R$ 20,4 mi
Salário-educação
R$ 19,9 mi
PNAE (repasse federal)
R$ 7,7 mi

Fonte: Portal da Transparência de Campos, empenhos de 2025 (valores liquidados).

Ponto de atenção. O Tribunal de Contas do Estado decidiu (Prejulgado nº 13/2025) que, a partir das contas de 2026, a merenda não pode ser contada no mínimo de 25%. Em 2025, a merenda paga com recursos ordinários somou R$ 24,5 milhões empenhados, mais do que a margem de R$ 10,4 milhões acima do piso. Os relatórios publicados não mostram se essa despesa entrou no cálculo de 25,99%. Se entrou, retirá-la levaria o índice de 2025, em simulação, a cerca de 23,7%. Não é uma apuração do índice, mas indica onde a gestão e o controle precisam olhar em 2026.

A lei do PNAE exige que pelo menos 30% do repasse federal seja gasto com agricultura familiar (45% a partir de 2026). Em 2025, 56 agricultores receberam R$ 158 mil, cerca de 2% do repasse, e não há outras compras desse tipo em nenhuma fonte da Secretaria. A lei admite exceções justificadas, e a conclusão cabe ao FNDE na prestação de contas.

Nos contratos, 239 empenhos de 2025 (R$ 115,7 milhões) referem-se a termos aditivos. Cinco contratos de transporte escolar de 2020 seguiam em execução no sexto ou sétimo aditivo, e um contrato de manutenção de escolas estava no nono. Aditivos não são irregulares por si; o que se recomenda é verificar prazos de vigência e limites de acréscimo.

5. Os alunos e as vagas

Creche
9.709 (+17,6%)
Pré-escola
7.936 (−1,5%)
Fundamental, 1º ao 5º ano
24.198 (−6,0%)
Fundamental, 6º ao 9º ano
8.372 (−3,8%)

Fonte: INEP, Censo Escolar 2025, via IBGE. Entre parênteses, a variação de 2022 a 2025. Não inclui a EJA (1.854 alunos em 2025, segundo a Secretaria).

A creche foi a única etapa que cresceu entre 2022 e 2025. Com a população do Censo de 2022, estima-se que as matrículas em creche de todas as redes atendam cerca de 50% das crianças de até 3 anos (41% só na rede municipal) e que a pré-escola, obrigatória, atenda cerca de 90% das crianças de 4 e 5 anos. São estimativas do estudo, não os indicadores oficiais do Plano Nacional de Educação.

Nos anos finais do fundamental, a maior parte dos alunos de Campos estuda na rede estadual (44%); a rede municipal responde por 30%. A Secretaria afirma que há mais vagas em creche do que demanda e que o problema é a localização. A lista de espera da pré-matrícula de 2026 mostra 233 crianças aguardando vaga, mas o arquivo publicado tem só 5 das 9 páginas, o que impede saber o tamanho real da fila.

6. Os resultados

No IDEB, a rede municipal subiu nos anos iniciais (1º ao 5º ano) de 4,7 em 2021 para 5,4 em 2023 e 5,7 em 2025, o melhor resultado da série. Nos anos finais (6º ao 9º ano), ficou em 4,2 em 2023 e em 2025, abaixo das metas projetadas, como reconhece a própria Secretaria. Ao lado de outros municípios do Estado:

Rede municipalAnos iniciaisAnos finais
Volta Redonda6,35,3
Rio de Janeiro6,25,2
Macaé5,94,5
São João da Barra5,94,1
Campos dos Goytacazes5,74,2
Niterói5,54,3
Duque de Caxias4,94,0

Fonte: INEP, IDEB 2025, via IBGE. Seleção: municípios produtores de petróleo da região e municípios de grande porte do Estado.

Campos fica em quinto lugar entre os sete nas duas etapas. A comparação não leva em conta diferenças sociais, de tamanho da rede ou de gasto por aluno, e serve como referência, não como nota. Na alfabetização, a Secretaria informa que 46,4% dos alunos estavam alfabetizados ao fim do 2º ano em 2025 (38,3% em 2024), abaixo da meta nacional de 51,7%.

7. O que a Secretaria afirma e o que os dados mostram

Em julho de 2026, a Secretaria de Educação publicou um documento com o balanço das ações de 2021 a 2026. Algumas afirmações foram confrontadas com os dados oficiais:

AfirmaçãoDados oficiaisSituação
25,99% em ensino e 83,7% do FUNDEB em salários em 2025SIOPE: 25,99% e 83,74%Confere
IDEB 2023 de 5,4 e 4,2INEP: 5,4 e 4,2 (em 2025: 5,7 e 4,2)Confere
Gasto de R$ 355,2 mi (2021), R$ 703,3 mi (2022) e R$ 786,1 mi (2024)Tesouro Nacional: R$ 325,4 mi, R$ 600,7 mi e R$ 758,5 mi; 2023 e 2025 coincidemDiverge
Mais vagas em creche do que demandaLista de espera publicada incompleta; sem dados de vagas por bairroNão verificável
R$ 192,2 mi em obras e manutenção de 2022 a 2026Empenhos públicos disponíveis só para 2025Não verificável

Fonte: Secretaria Municipal de Educação, “Desenvolvimento das ações da SEDUCT de 2021 a 2026” (julho de 2026); SIOPE; SICONFI; INEP. A divergência nos gastos pode decorrer de bases diferentes e pede conciliação.

Leia o estudo completo

O estudo “O Gasto Público com Educação no Município de Campos dos Goytacazes” tem 29 páginas, com todos os quadros, a metodologia, a lista de pontos a verificar e os links para os dados originais.

Baixar o estudo em PDF

Fontes

Período analisado: exercício de 2025, com séries históricas desde 2019 (gastos), 2022 (matrículas) e 2005 (IDEB). Valores nominais, sem correção monetária. Dados consultados em 1º e 2 de novembro de 2026.

Raio X da saúde pública de Campos dos Goytacazes: quanto se gasta, quem recebe e o que se entrega

Campos dos Goytacazes aplicou R$ 1,23 bilhão em saúde pública em 2025. Reuni, num estudo técnico, os dados oficiais da Secretaria Municipal de Saúde, do Tesouro Nacional, dos portais da transparência do Município e da União e do DATASUS. O objetivo é apresentar o que esses dados mostram e o que eles não permitem saber. O período analisado é o exercício de 2025, com séries históricas desde 2013 e dados parciais de 2026. O estudo completo está ao final da postagem.

Em 1 minuto
R$ 1,23 bi
gastos com saúde em 2025, ou R$ 2.371 por habitante
46,86%
da receita de impostos aplicada em saúde; o mínimo legal é 15%
50%
do gasto destinado à força de trabalho (servidores e contratados)
R$ 67,96 mi
em emendas parlamentares; R$ 29,5 mi sem destino final identificável nos dados públicos
40.353
internações SUS nos hospitais do Município em 2025
3 de 6
metas selecionadas da Programação Anual de Saúde não atingidas em 2025

1. Quanto o Município aplica

A Constituição exige que o Município aplique em saúde pelo menos 15% da receita de impostos. Campos aplicou 46,86% em 2025 e manteve percentuais acima de 27% em todos os anos desde 2013.

Mínimo exigido pela Constituição
15%
Aplicado por Campos em 2025
46,86%

Fonte: Relatório Anual de Gestão 2025 (SIOPS). Escala das barras de 0% a 50%.

Dois cuidados na leitura. Primeiro, entre 2024 e 2025 a despesa total com saúde ficou praticamente estável (−0,5%, de R$ 1.237,3 milhões para R$ 1.231,5 milhões); o percentual subiu porque mais despesas passaram a ser pagas com recursos de impostos. Segundo, o volume aplicado mede o esforço financeiro, não a eficiência: saber se o dinheiro é bem gasto exige olhar para o que ele entrega, tema das seções 5 e 6.

2. De onde vem o dinheiro

O Município custeia 63,2% da despesa. Os royalties do petróleo cobrem quase um quinto e pagam a complementação aos hospitais conveniados, o que vincula parte do financiamento da saúde ao preço do petróleo e ao julgamento da ação sobre a redistribuição dos royalties no Supremo Tribunal Federal (ADI 4917).

39,4%
31,3%
18,7%
Impostos municipais (39,4%)SUS — União (31,3%)Royalties (18,7%)SUS — Estado (5,3%)Outras fontes (5,2%)

Fonte: Relatório Anual de Gestão 2025 (SIOPS). Despesa empenhada por fonte de recurso.

3. Para onde vai

50,5%
27,3%
11%
Força de trabalho (50,5%)Hospitais e laboratórios (27,3%)Materiais e medicamentos (6,1%)Repasse à Fundação (5,1%)Demais despesas (11%)

Fonte: Portal da Transparência de Campos, 2.133 empenhos de 2025. Força de trabalho inclui salários, previdência e serviços de pessoas físicas.

Metade da despesa remunera a força de trabalho. Desse total, R$ 119,6 milhões foram pagos a profissionais contratados como prestadores de serviço, e o portal registra como favorecido o próprio órgão, sem identificar quem recebeu. No CNES, os vínculos autônomos na rede pública passaram de 1.146 em 2021 para 2.380 em 2024, e os de servidores e empregados públicos, de 5.619 para 5.164. A Constituição exige concurso público para cargos e empregos públicos, e a Lei de Responsabilidade Fiscal exige a divulgação do beneficiário de cada pagamento; a primeira exigência não pode ser verificada com os dados disponíveis, e a segunda não é atendida pelo portal no caso desses pagamentos.

A forma de registro também limita o controle. Mais da metade da despesa (54,1%), incluída a folha, é lançada como “Administração Geral”, o que impede saber, pelos relatórios oficiais, quanto foi para a atenção básica ou para os hospitais. E o repasse de R$ 63 milhões do Fundo à Fundação Municipal de Saúde é somado duas vezes no total oficial, que fica superestimado nessa proporção.

Nas compras, a Fundação Municipal de Saúde adquiriu R$ 12,0 milhões em insumos e medicamentos por dispensa emergencial em 2025 e mais R$ 5,5 milhões entre janeiro e outubro de 2026, inclusive com os mesmos fornecedores nos dois anos. A lei admite a contratação emergencial diante de situação imprevisível e veda a recontratação pelo mesmo fundamento; a recorrência para itens de uso contínuo é ponto a ser verificado pelos órgãos de controle.

4. O caminho das emendas parlamentares

Deputados e senadores enviaram R$ 67,96 milhões ao Fundo Municipal de Saúde em 2025, quase tudo para custeio, o que as regras do Ministério da Saúde permitem. Cruzando os dados federais com os empenhos do Município, foi possível reconstituir o destino da maior parte:

Repassados em bloco à Fundação Municipal de Saúde destino final não identificável
R$ 29,5 mi
Hospitais filantrópicos e conveniados
R$ 15,2 mi
Contratos de apoio (logística, ambulâncias, manutenção)
R$ 6,2 mi
Medicamentos da atenção básica
R$ 4,2 mi
Ainda não aplicados ou sem vínculo identificado
R$ 12,8 mi

Fonte: Portal da Transparência do Governo Federal (emendas por favorecido) e Portal da Transparência de Campos (empenhos de 2025 e 2026). Estimativa do estudo.

Depois de repassado à Fundação, o recurso passa a ser registrado sem vínculo com a emenda de origem, e os dados públicos não permitem saber em que foi aplicado. O Conselho Municipal de Saúde recomendou que as emendas sejam apresentadas previamente ao colegiado e vinculadas a procedimentos, exames, cirurgias e mutirões.

5. Os atendimentos

Os oito hospitais do Município registraram 40.353 internações pelo SUS em 2025, 70% delas de urgência, e a rede fez 9,09 milhões de procedimentos ambulatoriais, entre consultas, exames, hemodiálise e quimioterapia.

Plantadores de Cana
11.454
Ferreira Machado
7.658
Geral de Guarus
6.056
Escola Álvaro Alvim
4.366
Santa Casa
3.840
Beneficência Portuguesa
2.982
São José
2.238
Dr. Beda
1.759
Rede municipal   Hospitais conveniados

Fonte: DATASUS, SIH/SUS, internações por local de internação, 2025.

Entre 2019 e 2024, as internações cresceram 36,0%, com maior aumento na rede municipal (o Geral de Guarus passou de 2.278 para 7.202); em 2025, recuaram 6,3% em relação a 2024. No mesmo período de 2019 a 2025, a Beneficência Portuguesa reduziu suas internações em 36,5%.

90,7% das internações foram de moradores de Campos; pacientes de outros municípios responderam por 9,3%. O dado vale para internações; serviços como hemodiálise e oncologia podem atrair mais pacientes de fora, e o DATASUS não permite medir isso por unidade.

6. Os resultados

Meta de 2025MetaResultadoSituação
Mortalidade infantil (por mil nascidos vivos)12,515,7Não atingida
Casos de sífilis congênita2571Não atingida
Cobertura de saúde bucal30%11,8%Não atingida
Gestantes com 7 ou mais consultas de pré-natal70%67%Parcial
Vacinação do calendário nacional85%75%Parcial
Óbitos maternosaté 64Atingida

Fonte: Relatório Anual de Gestão 2025, metas da Programação Anual de Saúde. Classificação do estudo.

As metas são as fixadas pelo próprio Município. As não atingidas concentram-se na atenção primária e na saúde materno-infantil. O Relatório Anual calcula o percentual de alcance dividindo o resultado pela meta também nos indicadores de redução, o que faz a sífilis congênita aparecer com 284% de alcance, quando o resultado ficou acima do limite fixado.

Leia o estudo completo

O estudo “O Gasto Público com Saúde no Município de Campos dos Goytacazes” tem 43 páginas, com todos os quadros, a metodologia e os links para os dados originais.

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Fontes

Período analisado: exercício de 2025, com séries históricas desde 2013 e dados parciais de 2026. Valores nominais, sem correção monetária. Dados consultados em 1º e 2 de novembro de 2026.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Mapa do voto para deputado federal e estadual em Campos dos Goytacazes – Eleições 2026

Eleições 2026 · 1º turno (04/10/2026) · Campos dos Goytacazes/RJ · 200 locais de votação

Votação para deputado federal e deputado estadual em cada local de votação de Campos. Veja quem liderou em cada local ou escolha um candidato ou partido para ver onde ele teve mais votos.

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Raio-x do local

Toque ou clique em um círculo no mapa para ver como os votos se distribuíram naquele local: comparecimento, válidos, brancos e nulos, candidatos e partidos.

Ranking em Campos

Clique em um candidato para vê-lo no mapa.

Por bairro e distrito

Fontes: TSE, Portal de Dados Abertos: votação por seção eleitoral (eleição estadual de 2026, 1º turno) e votação nominal por município e zona, que informa partido, federação e situação final de cada candidato; eleitorado por local de votação 2026, com as coordenadas de cada local. Limites: IBGE, malhas territoriais e malha de bairros e distritos do Censo 2022. Nas tabelas, locais do distrito-sede situados fora da malha de bairros do IBGE aparecem com o nome informado ao TSE, seguido de "(sede)".

Votos válidos = votos nominais válidos + votos de legenda. Votos dados a candidaturas cujos votos foram anulados pela Justiça Eleitoral não entram nos válidos. O mapa por candidato inclui quem teve ao menos 200 votos em Campos; o ranking inclui todos. "Peso de Campos" é a parcela dos votos do candidato no estado que veio de Campos. A ordem de suplência foi calculada a partir da votação no estado, dentro de cada partido ou federação (art. 112 do Código Eleitoral), pois o arquivo do TSE informa apenas a situação de suplente; eventuais empates são decididos pela idade e não foram verificados. Os 200 locais estão no mapa; quatro pares funcionam no mesmo endereço e aparecem lado a lado.